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O blog [VANDALISMO POÉTICO] tem como meta central a divulgação do meu trabalho, especialmente POEMAS EM PROSA e possíveis experimentações poéticas.
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Todo o conteúdo aqui exibido já foi de alguma maneira publicado em outros veículos e devidamente possuem o seu DIREITO AUTORAL resguardado.
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Os leitores, se quiserem, podem comentar os meus poemas, copiá-los, colocá-los em seus blogs ou sites desde que mencionem o autor dos mesmos.
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Para devida conduta de quem assim desejar, e para não trazer a ninguém qualquer infortúnio de índole jurídica, deixo em aberto a possibilidade de, ao publicarem meus textos em outros veículos sem a minha autorização, colocarem o meu pseudônimo [Henrique de Shivas] em local visível, ou o meu verdadeiro nome [Luiz Henrique dos Santos Lima].
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Além desse blog, tenho outros, onde divulgo outros trabalhos e que estão à disposição de todos vocês.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Amor

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És bela, te amo por assim o ser, porém, és mais do que bela, e me faltam adjetivos para te descrever.
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Com prazer enorme, lembro-me de ti; faz-me apagar as mais amargas lembranças, pois, perto de ti, assim tão unido, o mundo caótico é um lago tranqüilo, as feras de meu corpo se acalmam, o veneno que escorre em meu sangue, congela, e as belezas desse mundo tal como tu, mostram-se mui vivas e intensas.
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Por ti, largaria o meu vício, lançaria no lixo ou no fogo a mais onerosa riqueza, perderia minhas roupas e minha casa, só por ti que és para mim o Éden Encantado.
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Sim, eu não tenho medo de buscar-te assim tão intensamente, de soltar-me a correr sem saber por onde piso, e lançar-me na lama em meio aos vermes, pois eu sei que tu estarás do outro lado, pronta para me curar as feridas, acalentar meus sofrimentos e derrubá-los a finco.
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Tuas mãos são capazes de curar o mais enfermo dos homens, e de fazer enxergar o mais cego deles, que é aquele que não está para o amor como eu estou para ti. Lanço-me fundo, sem medo de me perder; sei que estás ao meu lado, lutando comigo, vencendo perigos...
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A vida é muito curta para deixarmos o amor de lado, ao contrário, tão forte nos abraçamos, um sobre o outro, protegidos. Tem gente que vive sem o amor, ou embora o tenha: posterga-o; não sabe o valor de uma amizade, e crer que age certo quando age errado.
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Tem gente que tem medo de dizer que está amando, por estar acostumado a ser como todo mundo é: hipócrita, medroso, vaidoso e pequeno. Tem gente que não luta pelo seu amor, não o defende com garras e unhas, não faz loucuras por um momento único, nem sequer entende o que é amar.
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Pois amar, eu confesso, não é estar apenas junto, não é dizer que se estar amando, nem mesmo chorar na hora da separação.
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Pois mesmo estando junto, corpo a corpo, carece que o espírito esteja firme – dois espíritos unidos em apenas um. Mesmo dizendo que se ama é necessário que não se diga nada, mas que faça valer aquele abraço, que faça sentir-se morder aquele beijo, um beijo que dói entre mordidas e deixa feridas de amor nos lábios do coração. Esse beijo é o carinho, esse beijo é o estar-se preocupado por estar-se distante – um beijo de confiança e segurança-perfeita –, é o não dormir esperando o outro dia, é o estar-se sem motivo emocionado, e o querer contar ao Mundo o que se sente.
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O amor de verdade, poucos o sabem: não é o julgamento tendencioso, porque o amor não permite ser julgado por vãs associações, nem ser limitado pela escolha de um ser que mal conhece a si mesmo.
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Por isso, muitos estão fadados a solidão; atrás de um amor que mesmo estando debaixo de seus narizes não conseguem enxergar.
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Estão cegos de escuridão e não se deixam iluminar pelo amor.
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Estão surdos porque não ouvem ou não sabem ouvir.
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Estão perdidos, pois seguem um caminho que julgam ser o caminho do amor quando, na verdade, buscam apenas ilusão, respaldo material e ruína. O que é o amor senão não ter motivos para estar triste? O que é o amor senão ter sempre um colo para deitar a fronte? E tu que não tens nem mesmo um mísero travesseiro, julgas que ama e que possuis um amor?
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Pobre o que crer que o amor possa ser possuído; que o amor pode ser comprado com moedas; que o amor pode ser corrompido pela beleza, pois, a riqueza acaba, a beleza se degenera e a única coisa que resta é aquele gélido vazio que nos faz pensar que nada valeu a pena; que se construiu um mero castelo de areia, tão fraco, que o vento, tenebroso e astuto, pôs abaixo.
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O amor, quando de verdade o é, não é feito de areia, nem de qualquer um desses componentes efêmeros que o mundo abona, ao contrário, é puro espírito, é pura água, e nem mesmo o vento ou qualquer adversidade chula é capaz de dissipá-lo. Por ti, tenho esse amor aqui no peito, batendo e pulsando firme e forte, sem limite pulsa como se não conhecesse a morte: quer ele, o meu coração, a doce eternidade. Quer ele, o meu espírito, a benção e a infinda união; quer ele a velhice do corpo em estar ao teu lado – novo para uma vida que se põe por detrás de la muerte.
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[Henrique de Shivas]