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O blog [VANDALISMO POÉTICO] tem como meta central a divulgação do meu trabalho, especialmente POEMAS EM PROSA e possíveis experimentações poéticas.
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Todo o conteúdo aqui exibido já foi de alguma maneira publicado em outros veículos e devidamente possuem o seu DIREITO AUTORAL resguardado.
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Os leitores, se quiserem, podem comentar os meus poemas, copiá-los, colocá-los em seus blogs ou sites desde que mencionem o autor dos mesmos.
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Para devida conduta de quem assim desejar, e para não trazer a ninguém qualquer infortúnio de índole jurídica, deixo em aberto a possibilidade de, ao publicarem meus textos em outros veículos sem a minha autorização, colocarem o meu pseudônimo [Henrique de Shivas] em local visível, ou o meu verdadeiro nome [Luiz Henrique dos Santos Lima].
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Além desse blog, tenho outros, onde divulgo outros trabalhos e que estão à disposição de todos vocês.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Manifesto Futurista - Filippo Tommaso Marinetti

1. Nós pretendemos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e a intrepidez.

2. Coragem, audácia, e revolta serão elementos essenciais da nossa poesia.

3. Desde então a literatura exaltou uma imobilidade pesarosa, êxtase e sono. Nós pretendemos exaltar a ação agressiva, uma insónia febril, o progresso do corredor, o salto mortal, o soco e tapa.

4. Nós afirmamos que a magnificiência do mundo foi enriquecida por uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um carro de corrida cuja capota é adornada com grandes canos, como serpentes de respirações explosivas de um carro bravejante que parece correr na metralha é mais bonito do que a Vitória da Samotrácia.

5. Nós queremos cantar hinos ao homem e à roda, que arremessa a lança de seu espírito sobre a Terra, ao longo de sua órbita

6. O poeta deve esgotar a si mesmo com ardor, esplendor, e generosidade, para expandir o fervor entusiástico dos elementos primordiais.

7. Exceto na luta, não há beleza. Nenhum trabalho sem um caráter agressivo pode ser uma obra de arte. Poesia deve ser concebida como um ataque violento em forças desconhecidas, para reduzir e serem prostradas perante o homem.

8. Nós estamos no último promontório dos séculos!... Porque nós deveríamos olhar para trás, quando o que queremos é atravessar as portas misteriosas do Impossível? Tempo e Espaço morreram ontem. Nós já vivemos no absoluto, porque nós criamos a velocidade, eterna, omnipresente.

9. Nós glorificaremos a guerra — a única higiene militar, patriotismo, o gesto destrutivo daqueles que trazem a liberdade, ideias pelas quais vale a pena morrer, e o escarnecer da mulher.

10. Nós destruiremos os museus, bibliotecas, academias de todo tipo, lutaremos contra o moralismo, feminismo, toda cobardice oportunista ou utilitária.

11. Nós cantaremos as grandes multidões excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; nós cantaremos a canção das marés de revolução, multicoloridas e polifónicas nas modernas capitais; nós cantaremos o vibrante fervor noturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas elétricas; estações de trem cobiçosas que devoram serpentes emplumadas de fumaça; fábricas pendem em nuvens por linhas tortas de suas fumaças; pontes que transpõem rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com um brilho de facas; navios a vapor aventureiros que fungam o horizonte; locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de aço freados por tubulações; e o vôo macio de aviões cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um público entusiasmado.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Testemunho e a Confissão

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Não há um único dia que eu não me venha a sentir-me enojado de mim mesmo, por viver em meio a tanta sujeira e tanta gentalha.
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O que as pessoas buscam – o seu cheiro peculiar; a voz que emana de suas bocas – algo tão terrível quanto repugnante: deixam-me de todo abismado.
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Seus sonhos são produto de uma visão de mundo pequena; suas vontades: meros impulsos de um instinto-corrompido, e se por acaso criam algo de belo e glorioso, discordo, pois não criam.
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Por mais que eu pense que também sou humano, algo me leva a intuir que não sou de todo carne e osso, que não sou dotado de suas mesmas capacidades e faculdades, ou se, ao contrário, as possuo verdadeiramente e genuinamente – as tenho, sem sombra de dúvida, em um grau superior.
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Não tenho receio em dar testemunhos de minhas próprias qualidades e predicados: aqui o compromisso é em ser sincero e, sobretudo, imperativo ser como um bocejo-irresistível.
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O que me cheira mal em toda essa história – vou dizer-lhes – é o fato de que eu não me sinto nenhum pouco a vontade em meio aos outros, embora eu finja cordialidade e, cortesia plenamente.
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Aliás, basta-me pensar que a vida é efêmera para me irritar com isso: as pessoas se preocupam, sobremodo, com detalhes que não vale à pena, e, além disso, obrigam aos outros a ter de compartilhar dessas pífias emoções, como se elas fossem de todo importantes para suas – para minha! –, para nossa, vida.
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Lamento consideravelmente as crianças que eu vejo todos os dias passarem pela rua, indo às escolas: elas também serão como eles – dignas de nojo, dignas de escarro.
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Elas também serão seres humanos pequenos e sujos; munidos de vontades igualmente pequenas e sonhos miseráveis. E, apesar disso, dói-me o coração ao cogitar que aquela criança – tão linda – que eu vi ontem à noite (e acariciei os seus cabelos) poderá, no dia de amanhã vindouro, ser o criminoso que me tirará a vida.
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Que a levem! Já me comprometi com a Morte a entregar-te o corpo; o que eu não quero é que a levem assim: bando de miseráveis, mas que me permitam o sabor de tirar-lhe a finco.
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É justo que eu mesmo decida o que deve ser feito a todo custo.
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É justo que não se esconda o meu ponto de vista sob o meu silêncio aterrador: decepcionado estou por viver em meio a tanta porcaria.
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Alguns, talvez, dirão que foram as frustrações da vida – os deslizes, os fracassos, as quedas – que me tornaram o que sou; que fui derrotado pelo sentimento da Amargura e da Ira; que fui lançado à lama pela Tristeza maldita ou pela Dúvida, ou que ando sem Deus ou sem um ideal para acreditar; e todos, nesse ponto, parecem ter alguma razão.
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Pois um homem que merece esse nome – e de fato, eu mereço – tem de provar todos os seus sentimentos em sua potência-máxima; nutrir-se de emoção mesmo que seja vil e impura, e buscar o Desconhecido, sobretudo, quando ele se mostra, contudo, ameaçador.
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E, eu confesso: eu ando procurando – semelhante a um leão com sede furiosa – provar todos esses sentimentos com a mais fervorosa-gana.
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Se um homem não se dedica a vida inteira a superar seus medos; se ele não procura libertar-se dos outros para ser um Líder, sem dúvida alguma, tal homem não merece esse nome.
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Se um homem não busca sempre a Luta e o Conflito; a Vitória e a Glória: ah, ele não é um homem; ele não está preparado para a paz.
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A glória que eu desejo não é a mesma que os homens procuram, caso contrário, eu seria como eles.
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A vitória, em verdade, é ter todos os dias a certeza que venci a mim mesmo em um duelo-implacável, quando ajo conforme o que sinto e penso, mesmo, às vezes, sendo tão egoísta comigo e com os outros.
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Essa é a glória da minha alma. Uma alma que não sobrevive à Morte: ela também tem seu tempo finito e o seu caixão de pedra: eu não a quero imortal nem eterna.
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A glória é ver a cada dia um novo sol despontar-se brilhante e radioso; descobrir-se distinto dos outros e não ter de compartilhar com eles a mesma Idéia, pois isso, para mim, sempre foi uma tremenda-farsa: agir pelo impulso da igualdade, pelo desejo da igualdade, pelo êxtase do motim.
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O que as pessoas buscam se aglomerando em estádios, em concertos-musicais, em festivais de arte imbecil, em igrejas e afins, o que é senão a segurança de que pertencem a uma classe; a segurança de não se sentirem excluídos? Ao contrário, buscam em deus – em times de futebol, em formações acadêmicas, em títulos e denominações – algo que os unifiquem.
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Eu sou médico! Eu sou cristão! Eu sou ateu! Eu sou flamenguista. Dizem, orgulhosos. Eles são tudo, é vero, menos o que são de verdade.
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Eles são poetas, não há duvida alguma; são filósofos; malabaristas; são pára-quedistas; aventureiros; são, em uma única palavra – revolucionários. Menos eles mesmos.
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Em toda minha vida nunca vi um homem, orgulhoso, dizer: eu sou o que sou. E é verdade, isso é impossível, é impraticável: eles – os homens – não sabem o que são, portanto.
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E como não sabem, com efeito, não confiam em si mesmos: vão procurar a liberdade nos braços dos outros; vão procurá-la na Bíblia, no livro-sagrado e santo; no Direito e na Constituição Federal; no ideal de Che Guevara ou de Stálin, em suas profissões e títulos...
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E às vezes, eu devo confessar, quando eu acordo – “me sinto pensando” que eu também sou como eles: que eu sou um deles.
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Talvez, seja esse, o motivo do meu nojo.
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Talvez seja esse o motivo da minha derrota: descobrir em mim o outro que eu detesto, enojando em mim o que eu não sou.
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[Henrique de Shivas]