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Quando estiver chovendo catemos àqueles dias que são só saudades...
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Quando a chuva molhava os nossos beijos, e escondidos, caminhávamos, de mãos dadas, em meio aos arbustos daquela praça.
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E tão tímidos nos beijávamos; acariciando ainda trêmulos a mão do outro; abraçando um ao outro como duas criaturas-insaciáveis.
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Imagina se naquele dia os relógios tivessem parado, e o próprio tempo estacionado naquele momento – quão grande seria a nossa felicidade!
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Desculpa: o tempo não perdoa os que se entregam ao seu martírio; eu deixe-me transformar num monstro e tu, cegar-se pela luz dos teus conceitos.
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Só um amor de mãe é capaz de amar um monstro que se nega a ser perfeito: eu não fui perfeito, nego a perfeição - sou perfeito apenas em minha própria decisão.
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Mas não nos esqueçamos àqueles dias; de chuva muitos outros dias se encheram, e, sobremodo, muitas lágrimas molharam os nossos lábios que, de tão nervosos, abriam-se em forma de fenda em nossa carne.
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Nesses dias, parecia que havia na chuva algo de divino, pois nesses dias de chuva e de tempestade não brigávamos, não discutíamos, ao contrário, brincávamos e sorriamos, abraçava-nos e acariciava-nos um ao outro.
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Nossa! Como eram belos aqueles dias, como foram belos aqueles momentos, como seria bom voltar tudo de novo para viver aquilo que o tempo parou.
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[Henrique de Shivas]
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Há 11 anos